{"id":30922,"date":"2026-03-02T17:46:59","date_gmt":"2026-03-02T20:46:59","guid":{"rendered":"https:\/\/redraes.org\/relatorio-panorama-america-latina-e-o-caribe-avancam-na-erradicacao-da-fome-pelo-quarto-ano-consecutivo\/"},"modified":"2026-04-06T16:36:22","modified_gmt":"2026-04-06T19:36:22","slug":"relatorio-panorama-america-latina-e-o-caribe-avancam-na-erradicacao-da-fome-pelo-quarto-ano-consecutivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/redraes.org\/pt-br\/relatorio-panorama-america-latina-e-o-caribe-avancam-na-erradicacao-da-fome-pelo-quarto-ano-consecutivo\/","title":{"rendered":"Relat\u00f3rio Panorama: Am\u00e9rica Latina e o Caribe avan\u00e7am na erradica\u00e7\u00e3o da fome pelo quarto ano consecutivo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Segundo publica\u00e7\u00e3o da FAO, do FIDA, da OPAS, do UNICEF e do WFP, a desnutri\u00e7\u00e3o e a inseguran\u00e7a alimentar diminu\u00edram, embora persistam preocupa\u00e7\u00f5es acerca do custo de uma dieta saud\u00e1vel e dos elevados \u00edndices de obesidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, a subalimenta\u00e7\u00e3o diminuiu pelo quarto ano consecutivo, de acordo com o Panorama Regional da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o 2025: Estat\u00edsticas e Tend\u00eancias, publicado nesta sexta-feira (27\/3).<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio indica que a subalimenta\u00e7\u00e3o afetou 5,1% da popula\u00e7\u00e3o em 2024, uma redu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao pico registrado em 2020, de 6,1%. Isso significa que 6,2 milh\u00f5es de pessoas deixaram de passar fome na regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O informe anual destaca que j\u00e1 h\u00e1 quatro pa\u00edses na regi\u00e3o (Brasil, Costa Rica, Guiana e Uruguai) com preval\u00eancia de fome inferior a 2,5%, enquanto outros dois (Chile e M\u00e9xico) est\u00e3o muito pr\u00f3ximos desse limiar, e cinco se encontram agora abaixo de 5% (Argentina, Barbados, Col\u00f4mbia, Dominica e Rep\u00fablica Dominicana).<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica do Sul registrou a maior melhora nos \u00faltimos anos, alcan\u00e7ando uma preval\u00eancia m\u00e9dia de fome de 3,8%, com redu\u00e7\u00e3o de quase um ponto percentual entre 2022 e 2024. A Mesoam\u00e9rica manteve-se praticamente est\u00e1vel em torno de 5%, assim como o Caribe, com 17,5%. Este \u00faltimo resultado se explica pela elevada preval\u00eancia de subalimenta\u00e7\u00e3o no Haiti (54,2% no tri\u00eanio 2022\u20132024).<\/p>\n\n\n\n<p>A inseguran\u00e7a alimentar moderada ou grave afetou 25,2% da popula\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o em 2024. Esse n\u00famero est\u00e1 abaixo da estimativa mundial de 28% e tamb\u00e9m mostra uma queda cont\u00ednua desde o pico de 33,7% em 2020. No entanto, a desigualdade de g\u00eanero permanece significativa, com uma preval\u00eancia 5,3 pontos percentuais maior entre as mulheres do que entre os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das melhorias, mais de 33 milh\u00f5es de pessoas ainda sofrem com a fome, 167 milh\u00f5es enfrentam inseguran\u00e7a alimentar, 181,9 milh\u00f5es n\u00e3o conseguem arcar com o custo de uma dieta saud\u00e1vel e 141 milh\u00f5es de adultos vivem com obesidade.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Foco na nutri\u00e7\u00e3o<\/h5>\n\n\n\n<p>\u201cA regi\u00e3o conseguiu reduzir a preval\u00eancia da fome e da inseguran\u00e7a alimentar, mas persistem importantes desigualdades no acesso e na acessibilidade econ\u00f4mica aos alimentos e \u00e0s dietas saud\u00e1veis. Al\u00e9m disso, precisamos enfrentar, por meio de uma abordagem integral e intersetorial, o aumento dos n\u00edveis de sobrepeso e obesidade. A FAO apoia os pa\u00edses na gera\u00e7\u00e3o de dados e evid\u00eancias para a seguran\u00e7a alimentar e nutricional, bem como na tomada de melhores decis\u00f5es e na implementa\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es para erradicar a fome e reduzir a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o em todas as suas formas\u201d, afirmou o Subdiretor-Geral e Representante Regional da FAO, Ren\u00e9 Orellana Halkyer.<\/p>\n\n\n\n<p>A Am\u00e9rica Latina e o Caribe ainda enfrentam as consequ\u00eancias da pandemia de COVID-19, das interrup\u00e7\u00f5es nas cadeias de suprimento e dos conflitos geopol\u00edticos, que intensificaram a infla\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, elevando o custo de uma dieta saud\u00e1vel tanto em n\u00edvel global quanto regional. Em 2024, o custo de uma dieta saud\u00e1vel aumentou 3,8% na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, tornando a regi\u00e3o a de maior custo no mundo, estimado em US$ 5,16 por dia, ajustados pela paridade do poder de compra.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEmbora a regi\u00e3o tenha avan\u00e7ado na redu\u00e7\u00e3o da fome, persistem lacunas significativas. As mulheres e as comunidades rurais continuam enfrentando n\u00edveis mais elevados de inseguran\u00e7a alimentar do que os homens e as popula\u00e7\u00f5es urbanas. Essas constata\u00e7\u00f5es devem servir como um claro alerta para redobrar esfor\u00e7os e direcionar investimentos para quem mais precisa. Apoiar o desenvolvimento rural e quem produz os alimentos \u00e9 essencial para fortalecer a seguran\u00e7a alimentar, fomentar a resili\u00eancia e garantir um crescimento sustent\u00e1vel\u201d, afirmou Roc\u00edo Medina Bol\u00edvar, Diretora Regional do FIDA para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do aumento do custo de uma dieta saud\u00e1vel, a acessibilidade melhorou. Em 2024, conseguiram acessar uma dieta saud\u00e1vel 15,4 milh\u00f5es de pessoas a mais do que em 2021, quando a inacessibilidade atingiu um pico de 197,3 milh\u00f5es de pessoas. Ainda assim, 27,4% da popula\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e do Caribe \u2014 181,9 milh\u00f5es de pessoas \u2014 n\u00e3o conseguiram acessar uma dieta saud\u00e1vel em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEmbora a seguran\u00e7a alimentar apresente avan\u00e7os na Am\u00e9rica Latina e no Caribe, o Panorama 2025 exp\u00f5e profundas desigualdades entre sub-regi\u00f5es, dentro dos pa\u00edses e entre mulheres e homens. N\u00e3o podemos falar em progresso real enquanto essas lacunas continuarem deixando milh\u00f5es de pessoas para tr\u00e1s, especialmente as mulheres. O Programa Mundial de Alimentos (WFP) se compromete a chegar a quem mais precisa, desde a resposta a emerg\u00eancias at\u00e9 o fortalecimento da prote\u00e7\u00e3o social, da alimenta\u00e7\u00e3o escolar e das iniciativas de resili\u00eancia\u201d, afirmou Lena Savelli, Diretora Regional do PMA.<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores de nutri\u00e7\u00e3o mostram avan\u00e7os desiguais. Por exemplo, a anemia afetou 19,9% das mulheres de 15 a 49 anos na regi\u00e3o em 2023. Embora essa preval\u00eancia permane\u00e7a consideravelmente abaixo da estimativa mundial (30,7%), as taxas de anemia v\u00eam aumentando de forma constante na regi\u00e3o desde 2014.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, a obesidade em adultos na regi\u00e3o dobrou desde o ano 2000, alcan\u00e7ando 29,9% em 2022, quase o dobro da estimativa mundial de 15,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAmbientes pouco saud\u00e1veis, caracterizados pela alta disponibilidade de produtos ultraprocessados e pelo acesso limitado a alimentos saud\u00e1veis, continuam impulsionando a elevada preval\u00eancia de sobrepeso e obesidade nas Am\u00e9ricas\u201d, afirmou Jarbas Barbosa, Diretor da Organiza\u00e7\u00e3o Panamericana de S\u00e1ude (OPAS). \u201cA OPAS trabalha para transformar os sistemas alimentares por meio de medidas fiscais, da regula\u00e7\u00e3o da promo\u00e7\u00e3o e da publicidade e do r\u00f3tulo frontal de advert\u00eancia, para tornar a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel mais acess\u00edvel, econ\u00f4mica e sustent\u00e1vel, ajudando a prevenir a obesidade e as doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis relacionadas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Entre crian\u00e7as menores de 5 anos, a preval\u00eancia de atraso no crescimento foi de 12,4%, mantendo-se consistentemente abaixo da estimativa mundial nos \u00faltimos 25 anos. Atualmente, um ter\u00e7o dos pa\u00edses com dados dispon\u00edveis est\u00e1 no caminho para alcan\u00e7ar a meta de 2030 sobre atraso no crescimento. Da mesma forma, a preval\u00eancia de emagrecimento infantil na regi\u00e3o foi estimada em 1,3% em 2024, e a maioria dos pa\u00edses j\u00e1 alcan\u00e7ou a meta de 2025 da Assembleia Mundial da Sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao sobrepeso, a preval\u00eancia entre crian\u00e7as menores de 5 anos aumentou de forma constante desde o ano 2000, alcan\u00e7ando 8,8% em 2024, valor superior \u00e0 estimativa mundial. Como consequ\u00eancia, a regi\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 no caminho para atingir a meta de 2030 de reduzir e manter essa preval\u00eancia abaixo de 3%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs avan\u00e7os significativos na redu\u00e7\u00e3o da desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica refletem investimento sustentado e a\u00e7\u00e3o coordenada em favor do bem-estar infantil\u201d, afirmou Roberto Benes, Diretor Regional do UNICEF para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. \u201cAo mesmo tempo, a regi\u00e3o enfrenta um desafio nutricional complexo. Embora a desnutri\u00e7\u00e3o persista entre popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, o sobrepeso e a obesidade aumentam de forma constante, inclusive entre meninos e meninas. Enfrentar a m\u00e1 nutri\u00e7\u00e3o em todas as suas formas \u2014 da desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, da desnutri\u00e7\u00e3o aguda e das defici\u00eancias de micronutrientes ao sobrepeso e \u00e0 obesidade \u2014 exige sistemas fortalecidos de sa\u00fade, nutri\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o social que garantam a todas as crian\u00e7as acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o acess\u00edvel, diversa e nutritiva.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Panorama Regional da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o 2025 \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o conjunta da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agr\u00edcola (FIDA), da Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade\/Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OPAS\/OMS), do Programa Mundial de Alimentos (WFP) e do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF).<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading\">Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o tema:<\/h5>\n\n\n\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.4060\/cd8421es\" rel=\"noreferrer noopener\">Panorama Regional da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o 2025<\/a>&nbsp;em espanhol<\/p>\n\n\n\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.4060\/cd8421en\" rel=\"noreferrer noopener\">Panorama Regional da Seguran\u00e7a Alimentar e da Nutri\u00e7\u00e3o 2025<\/a>&nbsp;em ingl\u00eas<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo publica\u00e7\u00e3o da FAO, do FIDA, da OPAS, do UNICEF e do WFP, a desnutri\u00e7\u00e3o e a inseguran\u00e7a alimentar diminu\u00edram, embora persistam preocupa\u00e7\u00f5es acerca do custo de uma dieta saud\u00e1vel e dos elevados \u00edndices de obesidade. 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