Durante o evento promovido pela FAO, pelo Governo do Brasil e pela RAES, 11 países da América Latina e do Caribe apresentaram soluções que integram tecnologia, educação alimentar, sustentabilidade e participação comunitária para fortalecer os programas de alimentação escolar.
Paulo Beraldo e Palova Brito
15 de dezembro de 2025, Brasília, Brasil – A primeira edição da Mostra RAES de Boas Práticas em Alimentação Escolar reuniu cerca de 300 profissionais de 20 países da América Latina, do Caribe e da Europa para conhecer iniciativas bem-sucedidas que estão fortalecendo os programas de alimentação escolar na região. O encontro virtual buscou promover o intercâmbio entre países e dar visibilidade a iniciativas que articulam a alimentação escolar e os sistemas agroalimentares sustentáveis. O vídeo completo do evento está disponível na plataforma da RAES.
A RAES é implementada conjuntamente pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), com secretaria executiva a cargo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Atualmente, 18 países da América Latina e do Caribe integram a rede.
Inovações e aprendizados rumo a uma alimentação escolar sustentável
Durante a mostra, foram apresentadas experiências de 11 países da região que estão fortalecendo a qualidade, a participação comunitária e a sustentabilidade da alimentação escolar. No Chile, destacou-se o App PAE, uma ferramenta piloto que permite que as escolas enviem imagens do almoço servido juntamente com o cardápio planejado. As famílias podem visualizar essas informações e enviar feedback, fortalecendo a transparência do programa e a participação da comunidade educativa.
O Brasil apresentou as Jornadas de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), realizadas desde 2017, que impulsionam a implementação de ações de educação alimentar nas escolas. Mais de 11 mil instituições de ensino já participaram de iniciativas inovadoras que promovem hábitos saudáveis entre estudantes de todo o país.

Em Belize, a capacitação de cozinheiras do programa, com apoio de chefs profissionais, permitiu melhorar a oferta de cardápios saudáveis. A experiência, que começou em seis escolas, já alcança 78 unidades educacionais e beneficia 15 mil estudantes. Refeições mais saborosas são oferecidas aos estudantes.
Do Paraguai, a iniciativa Mbo’Eco mostrou como a gestão responsável de resíduos e a educação ambiental podem ser integradas à vida escolar, promovendo maior consciência e compromisso com a sustentabilidade entre estudantes, mudando “a cara da escola” para um espaço mais limpo e agradável, como confirmou a professora paraguaia.
O Suriname ressaltou o valor da cooperação internacional para ampliar o acesso a capacitações, intercâmbios técnicos e apoio institucional. Mostrou que, com o apoio de outros países, a realidade se transforma de maneira mais rápida e eficiente. A República Dominicana apresentou a iniciativa Optiwaste, uma ferramenta que permite medir o desperdício de alimentos nas escolas e, assim, melhorar a eficiência e a qualidade do serviço. A ferramenta é uma ação para enfrentar problemas ambientais nas escolas e é executada com o apoio da FAO no país.
Santa Lúcia compartilhou a experiência de uma escola com 100 estudantes que integra alimentos produzidos na horta escolar e fomenta o empreendedorismo entre estudantes com necessidades especiais. Nessa mesma linha, Cuba apresentou um projeto de educação alimentar e nutricional voltado à aprendizagem de jovens, com ênfase no protagonismo estudantil, enquanto a Guatemala destacou o papel das hortas escolares como ferramenta que, além de educativa, promove alimentação mais saudável. Os três países evidenciaram a horta escolar como uma estratégia pedagógica que impacta diversas áreas, especialmente a qualidade da educação.
No Uruguai, a Escola 75 apresentou sua iniciativa LAB Chef 75, que transformou a rotina escolar em um espaço de inovação compartilhada. O projeto conseguiu reduzir o absenteísmo em 22% no grupo de controle por meio de atividades que envolvem estudantes e famílias em temas de alimentação saudável, manipulação de alimentos e higiene. A Colômbia encerrou a Mostra RAES destacando a importância de adaptar a alimentação escolar às realidades das comunidades indígenas, com respeito às diferenças territoriais, culturais e gastronômicas. Reafirmou que isso exige diálogo, corresponsabilidade e organização conjunta com as comunidades para garantir um serviço pertinente e respeitoso de sua identidade.
A importância de compartilhar boas práticas
Pelo governo do Brasil, Paola Barbieri, analista de projetos da ABC/MRE, destacou o papel da cooperação internacional para promover o intercâmbio de conhecimentos e a difusão de boas práticas que podem ser adaptadas e replicadas em outros países. “Que cada prática apresentada na mostra sirva de semente para novas iniciativas em nossos países. Esses intercâmbios transformam a cooperação em ação”.
Daniela Godoy, oficial principal de políticas de segurança alimentar e nutricional da FAO, ressaltou que a alimentação escolar atende 80 milhões de estudantes na América Latina e no Caribe e que houve avanços significativos na região nos últimos anos, reconhecendo o papel da Cooperação Brasil–FAO em alimentação escolar, da RAES e o compromisso crescente dos países da região. Godoy destacou também a importância da inovação para a transformação dos sistemas agroalimentares.
Najla Veloso, especialista em alimentação escolar da FAO e secretária executiva da RAES, lembrou que a mostra celebra os 16 anos de cooperação em alimentação escolar entre a FAO e o governo do Brasil, além dos sete anos da rede RAES, que já reúne 18 países membros. Apontou a importância das experiências e inovações para impactar mais gestores e técnicos quanto à necessidade de pensar e criar soluções para os problemas que o mundo enfrenta. “As inovações apresentadas por quem torna possível a alimentação escolar na região evidenciam o alto nível de criatividade, compromisso e a vontade de avançar dos países da ALC. São nossos países inspirando o mundo”, concluiu.
Reações dos países participantes
Representantes dos países membros valorizaram a realização da Mostra, que nasceu de uma proposta apresentada pelos próprios países integrantes da Rede. Para os participantes, vindos de pelo menos 20 países e representando diferentes instituições, o evento foi uma oportunidade de observar um panorama regional de inovações e ver como outros países enfrentam desafios semelhantes na implementação dos programas de alimentação escolar.
Nos comentários, também destacaram que levarão as ideias para fortalecer seus PAE. Leslly de Leon, ponto focal da RAES no governo da Guatemala, afirmou que foi uma atividade muito enriquecedora, pois deu a oportunidade para que os países pudessem apresentar experiências criativas, bem-sucedidas e muitas delas altamente inovadoras. Mariella Ortega, especialista em segurança alimentar e nutrição da FAO na República Dominicana, também ressaltou a importância de conhecer experiências inspiradoras para avançar com os programas de alimentação escolar nos níveis nacional, regional e global.
Video das experiências: