Compras públicas locais da agricultura familiar podem aumentar a segurança alimentar e a nutrição na América Latina e no Caribe

Estudo das Nações Unidas evidencia que destinar compras públicas de alimentos a produtores locais da agricultura familiar pode estimular a produção, diversificar as dietas e gerar crescimento econômico inclusivo.

Santiago do Chile, 29 de dezembro de 2025 – O novo relatório “Melhorando a segurança alimentar e a nutrição por meio das compras públicas locais de alimentos da agricultura familiar”, apresentado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), revela o potencial transformador das compras públicas de alimentos junto a pequenos produtores para fortalecer a segurança alimentar e a nutrição na América Latina e no Caribe.

A agricultura familiar representa 81% dos estabelecimentos agrícolas da região, mas enfrenta desafios persistentes, como baixa produtividade, acesso limitado aos mercados e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. Ao direcionar o gasto público para esse setor, os governos criam uma demanda estruturada que estimula a produção, diversifica as dietas e gera crescimento econômico inclusivo.

Em 2024, a América Latina e o Caribe registraram uma redução de 1,5 milhão de pessoas que deixaram de passar fome. No entanto, a região ainda enfrenta grandes desafios: 181,9 milhões de pessoas não conseguem custear uma dieta saudável, e a pobreza rural continua sendo motivo de preocupação.

Diante desse cenário, as agências das Nações Unidas trazem um relatório que evidencia como as compras locais oferecem uma solução custo-efetiva, ao aproveitar os orçamentos públicos e fornecer alimentos nutritivos, ao mesmo tempo em que promovem o desenvolvimento econômico e social.

O estudo mostra que os países que destinam parte de seus orçamentos de compras públicas de alimentos a produtores locais da agricultura familiar obtêm benefícios significativos. No Brasil, por exemplo, as evidências indicam que os produtores participantes podem aumentar sua renda em até 106%, além de a participação feminina nos mercados públicos de alimentos crescer de 23% para 61%, demonstrando que essas políticas podem promover a equidade. Já em Honduras e na Guatemala, são gerados 478 empregos para cada milhão de dólares investido.

Essa abordagem transforma o gasto público em um poderoso motor de desenvolvimento rural, criando mercados estáveis para agricultores de pequena escala e promovendo crescimento econômico inclusivo. O relatório ressalta que, para ampliar o impacto das compras públicas, é fundamental aproveitar as sinergias entre essas compras e outros esforços de desenvolvimento produtivo nas áreas de ciência, tecnologia, inovação, extensão tecnológica, capital humano, financiamento, qualidade, entre outras.

Além disso, a publicação oferece informações e referências para que formuladores de políticas, organismos de desenvolvimento e a sociedade civil possam continuar promovendo abordagens sistêmicas baseadas em evidências, que integrem a compra local às estratégias nacionais de segurança alimentar e desenvolvimento rural.

Link para o estudo: https://openknowledge.fao.org/server/api/core/bitstreams/b3a0ff5b-a8cc-40b2-856e-af47a337474c/content