No XI Foro Regional de Alimentação Escolar, RAES é destacada como estratégia chave para fortalecer alimentação escolar na região

A Rede RAES foi criada em 2018, por acordo entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), com apoio e secretaria executiva da FAO. Hoje reúne 18 países da América Latina e do Caribe para fortalecer uma política que atende 85 milhões de estudantes.

Paulo Beraldo

Honduras, 16 de julho de 2025 — A Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) participou do XI Foro Regional de Alimentação Escolar, promovido pelo governo de Honduras e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), em San Pedro Sula, de 15 a 17 de julho, importante espaço de diálogo sobre os avanços dessa política na região. A RAES também organizou um evento paralelo com alguns de seus países‑membros presentes. 

O encontro reuniu participantes de alto nível político — ministros, secretários, embaixadores, profissionais de diversas instituições — e gestores da política de alimentação escolar de vários países. A RAES é uma iniciativa de cooperação Sul‑Sul trilateral desenvolvida pela ABC, pelo FNDE e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). 

Na ocasião, RAES e suas instituições executoras — ABC, FNDE e FAO — reafirmaram o compromisso com o fortalecimento e o avanço da alimentação escolar. Com o engajamento dos países e a assistência técnica da FAO, os programas de alimentação escolar contribuem para erradicar a fome e melhorar a nutrição de mais de 85 milhões de estudantes na América Latina e no Caribe. 

RAES: estratégia coletiva de grande alcance 
O economista‑chefe da FAO e representante regional interino para a América Latina e o Caribe, Máximo Torero, apresentou o trabalho da organização na região e destacou a criação da RAES como elemento essencial desse processo. 

“Os programas de alimentação escolar são decisivos: chegam a quem mais precisa, absorvem o impacto das crises e fortalecem a resiliência das comunidades. A FAO ajudou a criar mais de 23 000 Escolas Sustentáveis na região, promovendo hortas pedagógicas, compras locais e modelos que conectam alimentação, produção e desenvolvimento territorial”, afirmou, citando a experiência de Escolas Sustentáveis, presente em 14 países e apoiada pela Cooperação Internacional Brasil‑FAO. 

Torero ressaltou que a alimentação é um investimento em capital humano com alto retorno. “Além de inovar no financiamento, é importante aumentar a eficiência das fontes atuais e orientar melhor o gasto público. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza tem papel fundamental ao oferecer uma plataforma de coordenação de políticas e recursos, gerando intervenções de impacto e maior retorno social e econômico”, completou. 

Compromisso político 
Saulo Ceolin, coordenador‑geral de segurança alimentar e nutricional do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e co‑coordenador da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, destacou o apoio da Cooperação Internacional Brasil‑FAO aos programas de alimentação escolar na região desde 2009. Ceolin afirmou que esse trabalho articulado em rede contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e reforçou a importância do compromisso dos 18 países‑membros da RAES com o fortalecimento dessa política. 

Sistemas alimentares sustentáveis 
A FAO também esteve representada no evento por Daniela Godoy, oficial sênior de políticas de segurança alimentar e nutricional para a região. “Os programas de alimentação escolar são fundamentais para alcançar sistemas agroalimentares sustentáveis e dietas saudáveis, contribuindo para a segurança alimentar e uma melhor nutrição de milhões de estudantes”, observou.

Reunião dos países‑membros da RAES 
Além de participar do fórum, a RAES promoveu uma sessão paralela com países‑membros e convidados. Najla Veloso, especialista sênior em alimentação escolar da FAO e secretária executiva da Rede, ressaltou a importância de espaços de diálogo e a necessidade de sinergias com instituições engajadas no tema. 

Participaram também Máximo Torero e Daniela Godoy (FAO); Saulo Ceolin (MRE/Aliança Global); Paola Barbieri (ABC); Karine Santos, coordenadora‑geral do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE/FNDE). Estiveram presentes representantes de Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Costa Rica, Equador, Honduras, Jamaica, Guatemala, Peru, Uruguai e Venezuela. O objetivo foi reforçar as articulações nacionais, regionais e globais em curso. 

“A RAES quer seguir como parte ativa desse movimento, cujo objetivo é avançar para programas de alimentação escolar baseados no direito humano à alimentação adequada, que ofereçam frutas, verduras, legumes e refeições saborosas a todos os estudantes”, disse Veloso. “Apresentamos várias estratégias que já estão em implementação na Rede.” 

Paola Barbieri, analista de projetos da ABC, reforçou o compromisso da instituição com a cooperação em alimentação escolar na região. “A Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) é um mecanismo potente da cooperação para fortalecer programas de alimentação escolar em cada um dos países membros da Rede, ao mesmo tempo em que promove o estabelecimento de uma agenda regional e apoia o alcance do objetivo da Coalizão para a Alimentação Escolar.”

A força da articulação 

Karine Santos, coordenadora‑geral do PNAE, destacou a intersetorialidade como “fundamental”. “A articulação de múltiplos atores que discutem aspectos específicos do programa gera impactos diretos na melhoria da execução. No Brasil, vale ressaltar a atuação da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional, que reúne mais de vinte ministérios e promove coordenação entre órgãos e entidades na área.” 

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