Dezesseis países dialogaram sobre as prioridades da Rede para os próximos quatro anos. Rascunho do documento foi enviado para os países para comentários e sugestões até 26 de janeiro. No dia 9 de fevereiro, será realizada reunião para sua validação final.
Paulo Beraldo e Palova Brito
Brasília, Brasil, 1º de dezembro de 2025 – A Secretaria Executiva da Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) e representantes de seus países membros se reuniram no dia 28 de novembro para analisar a proposta de agenda regional para a alimentação escolar na América Latina e no Caribe (ALC) para o período de 2026–2030.
Participaram representantes de 16 países: Belize, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Paraguai, Peru, República Dominicana, São Cristóvão e Névis, Suriname e Uruguai.
Criada em 2018, a RAES é implementada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE/MEC), tendo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como secretaria executiva. Atualmente, a Rede é composta por 18 países da região.

A construção da agenda regional para os próximos quatro anos é essencial para a coordenação de ações e planos de trabalho entre os países e representa mais um passo no processo iniciado em 2009 para fortalecer os programas de alimentação escolar, no âmbito do Programa de Cooperação Internacional Brasil–FAO.
A proposta parte do princípio de que a alimentação escolar é uma política social fundamental para garantir o direito humano à alimentação adequada. Para isso, deve assegurar padrões de qualidade nutricional e cobertura para todos os estudantes matriculados nos sistemas públicos dos países da região.
Além disso, a agenda busca reforçar os vínculos com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a Coalizão para a Alimentação Escolar, impulsionando o movimento regional e global em torno do tema.
Guia para as ações
Durante a reunião, foi apresentada a primeira versão do documento que servirá como guia para o planejamento, a mobilização de recursos e a articulação com organismos internacionais, academia e outras instituições. Trata-se de um documento que organiza as ações em eixos transversais, enfoques temáticos e estrutura operacional.
O documento se baseia nos principais desafios identificados pelos países ao longo dos anos, assim como em estudos, avaliações e experiências acumuladas pela cooperação Brasil–FAO. Foram definidos sete enfoques temáticos:
i) gestão e governança;
ii) dietas saudáveis;
iii) educação alimentar, nutricional e ambiental;
iv) compras públicas da agricultura familiar;
v) marcos normativos;
vi) financiamento;
vii) monitoramento e avaliação.
Após a apresentação, os países poderão revisar o documento e enviar comentários e sugestões até o dia 26 de janeiro de 2026. No dia 9 de fevereiro, será realizada reunião para sua validação final.
Paola Barbieri, analista de projeto da ABC/MRE, destacou que este é um momento chave para a Rede, pois o documento orientará suas ações nos próximos anos. Ela acrescentou que espera que as prioridades e expectativas dos países estejam refletidas no documento. “Em nossa experiência de cooperação, a construção de uma agenda temática de desenvolvimento se consolida como uma ferramenta fundamental para guiar e fortalecer os processos de cooperação”, afirmou.
Por sua vez, Najla Veloso, especialista da FAO e secretária executiva da RAES, ressaltou que a agenda deve expressar as aspirações regionais no tema da alimentação escolar. “Esta agenda favorece a institucionalização dos programas, fortalece os países, os gestores e a própria RAES. É uma contribuição regional para a gestão nacional.”

A voz dos países
Durante o diálogo, o Uruguai destacou que a agenda é ambiciosa e apoiará o fortalecimento dos Programas de Alimentação Escolar (PAE) em nível nacional. Também ressaltou a importância de que futuros convênios estejam livres de conflitos de interesse e respeitem o direito humano à alimentação.
A Guatemala afirmou que se trata de um documento valioso que deve ser consensuado com as autoridades nacionais. Já Belize destacou que a proposta está bem alinhada com as prioridades do país.