FNDE e MEC celebram boas práticas da alimentação escolar durante o Prêmio PNAE 2026

Cerimônia reconhece o trabalho desenvolvido por gestores, nutricionistas, merendeiras, conselheiros e instituições parceiras

Nesta terça-feira, 23 de junho, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e o Ministério da Educação (MEC) realizaram, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília-DF, o Prêmio PNAE 2026, considerado o maior encontro nacional da alimentação escolar brasileira. 

A iniciativa reuniu gestores, nutricionistas, merendeiras, professores, diretores, conselheiros de alimentação escolar, agricultores familiares, pesquisadores e estudantes de todas as regiões do país que debateram desafios, compartilharam experiências e fortaleceram as ações desenvolvidas no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). 

Com a participação de cerca de mil pessoas, o evento promoveu uma programação diversificada e, ao longo do dia, especialistas e profissionais de diferentes áreas participaram de painéis e debates sobre alimentação adequada e saudável, educação alimentar e nutricional, valorização da cultura alimentar regional, agricultura familiar e fortalecimento da participação social na execução do programa. 

Integraram a abertura, a primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, o secretário-executivo do MEC, Rodolfo Cabral, a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, e demais autoridades ligadas à educação, à nutrição e ao desenvolvimento social. 

A primeira-dama do Brasil participou remotamente da cerimônia de abertura. Embaixadora da Alimentação Escolar Brasileira e Campeã da Boa Vontade da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) contra a fome, Janja Lula da Silva atua na promoção do modelo brasileiro de alimentação escolar em fóruns nacionais e internacionais. 

Em sua apresentação, Janja destacou o protagonismo do Brasil na área da alimentação escolar e afirmou que o país se tornou referência internacional na promoção do direito à alimentação adequada, no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento sustentável. A primeira-dama também ressaltou a contribuição do FNDE e do PNAE para a consolidação dessa política pública. 

“Tenho muito orgulho de dizer que, quando o assunto é alimentação escolar, o Brasil lidera pelo exemplo. Eu sempre falo isso em todas as conversas internacionais, todas as minhas falas nos eventos em que eu sou convidada a participar. Eu falo que nós lideramos pelo exemplo na alimentação escolar.” 

Na sequência, o secretário-executivo do Ministério da Educação, Rodolfo Cabral, ressaltou o papel estratégico do PNAE na promoção da aprendizagem, da saúde e da inclusão social dos estudantes. Em sua fala, também enfatizou os investimentos realizados pelo governo federal para fortalecer as políticas educacionais e ampliar o acesso a uma educação pública de qualidade em todo o país.  

“O Programa Nacional da Alimentação Escolar, nosso PNAE, é um dos pilares desse esforço. É um programa que chega a todos os municípios brasileiros, que dialoga com diferentes realidades e que tem impacto direto na vida de milhões de estudantes.” 

A presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, ressaltou os avanços alcançados pelo PNAE nos últimos anos, resultado da prioridade dada pelo governo federal às áreas de segurança alimentar e educação. Ela recordou que a retomada das instâncias de participação social ligadas à alimentação escolar foi uma das primeiras medidas adotadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, reforçando a gestão participativa e o diálogo com a sociedade. 

“A alimentação escolar vai muito além da oferta de refeições. Ela representa cuidado, segurança alimentar, fortalecimento da agricultura familiar e compromisso com a permanência dos estudantes na escola. Cada avanço no PNAE reflete a prioridade que o governo federal tem dado à educação e à garantia de direitos.” 

Pacobahyba também ressaltou o fortalecimento da agricultura familiar, com a ampliação dos recursos destinados à compra de alimentos produzidos pelo segmento, e os avanços na promoção de uma alimentação mais saudável nas escolas, com a redução gradual dos alimentos ultraprocessados e o incentivo ao consumo de produtos in natura e minimamente processados. 

“Os resultados do PNAE são construídos coletivamente. Merendeiras, nutricionistas, conselheiros, gestores, agricultores familiares, pesquisadores e comunidades escolares formam uma rede que faz da alimentação escolar uma política pública reconhecida dentro e fora do Brasil.” 

Ao destacar a importância dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), dos Centros Colaboradores em Alimentação e Nutrição Escolar (Cecane) e dos diversos profissionais envolvidos na execução do programa, a presidente afirmou que os resultados alcançados demonstram o impacto da alimentação escolar no desenvolvimento dos estudantes e na redução das desigualdades. 

Premiações   

Ainda pela manhã, um dos destaques do Prêmio PNAE 2026 foi a 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, que reconhece profissionais, projetos e iniciativas que contribuem para o fortalecimento da alimentação escolar em todo o país. Realizado pela última vez em 2017, o concurso retornou em 2026 com ampla adesão nacional, registrando mais de 3 mil inscrições. Após a avaliação técnica de 2.772 receitas, foram selecionadas 136 preparações para a etapa de votação popular, representando todas as unidades da Federação. 

A iniciativa valoriza o trabalho de merendeiras, merendeiros e nutricionistas responsáveis pela alimentação dos estudantes da rede pública de ensino. O concurso integra o projeto Alimentação Escolar Nota 10: Formação e Valorização de Merendeiras e Nutricionistas, desenvolvido pelo FNDE em parceria com a Itaipu Binacional, o Instituto Federal do Sul de Minas e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Extensão, Pesquisa, Ensino Profissionalizante e Tecnológico (FADEMA). 

Ao todo, 55 receitas foram premiadas em todo o país. Cada merendeira vencedora recebeu R$ 5 mil, enquanto as escolas contempladas receberam R$ 8 mil para investimentos em equipamentos e melhorias na infraestrutura das cozinhas escolares. As receitas selecionadas também passarão a integrar um e-book nacional, contribuindo para a disseminação de boas práticas e para a valorização da cultura alimentar regional, da sociobiodiversidade brasileira e da agricultura familiar. 

O evento também marcou a premiação da quarta edição do reality show Escola de Sabores, desenvolvido pelo FNDE em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP). Nesta edição, o programa destacou o protagonismo de merendeiras, merendeiros e nutricionistas de comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, além de contar com a participação internacional de representantes de São Tomé e Príncipe e Honduras.  

Ao todo, seis merendeiras e merendeiros foram premiados com valores entre R$ 5 mil e R$ 25 mil, enquanto seis nutricionistas receberam premiação individual de R$ 5 mil. Os vencedores também participarão de intercâmbios internacionais para conhecer experiências de referência em alimentação escolar.  

Entre os premiados, o merendeiro indígena Alison Junior Almeida, de São Gabriel da Cachoeira-AM, vencedor do reality, destacou a importância de dar visibilidade aos profissionais que atuam nas cozinhas das escolas. “O que mais me marcou nessa experiência foi a oportunidade de mostrar a importância dos merendeiros. Somos profissionais que trabalham com dedicação, carinho e muito amor, sempre buscando oferecer o melhor todos os dias. A maior recompensa é ver a alegria dos alunos e saber que contribuímos para o bem-estar deles”, afirmou. 

Prêmio CAE 

A programação do evento também contou com a entrega do Prêmio CAE de Participação Social, edição especial em celebração aos 30 anos dos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE) no Brasil. A iniciativa reconhece experiências inovadoras de controle social desenvolvidas por conselhos de todo o país e reforça a importância da participação cidadã no acompanhamento e no fortalecimento da gestão do PNAE. 

Nesta edição comemorativa, foram inscritos 146 relatos de experiências, dos quais 25 foram selecionados para representar as cinco regiões brasileiras. Os conselhos premiados terão seus trabalhos publicados em um caderno temático e poderão utilizar o selo oficial da premiação em seus materiais institucionais, ampliando a divulgação das ações realizadas. 

Educação alimentar 
 
O evento também destacou a Jornada de Educação Alimentar e Nutricional (EAN), iniciativa realizada pelo FNDE desde 2017, no âmbito do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A ação incentiva escolas públicas de todo o país a desenvolverem atividades educativas que promovam hábitos alimentares saudáveis e fortaleçam a relação entre alimentação, educação e cidadania. 

Na 7ª edição, a Jornada mobilizou 2.838 escolas públicas de todo o país, das quais 817 concluíram todas as etapas previstas. As experiências foram organizadas em quatro eixos temáticos relacionados ao protagonismo dos estudantes, das merendeiras e merendeiros, dos agricultores familiares e dos profissionais da educação. Ao todo, 20 experiências foram selecionadas e receberão premiação de R$ 10 mil cada. 

A programação também prestou homenagem aos 20 anos da Rede Cecane, formada por Centros Colaboradores em Alimentação e Nutrição Escolar vinculados a instituições federais de ensino. Criada em 2006, a rede tem papel estratégico na formação de profissionais, na produção de conhecimento e na oferta de assistência técnica a estados e municípios para a implementação das diretrizes do PNAE. 

Ao longo de duas décadas, 28 instituições federais de ensino já integraram a Rede Cecane. Nos primeiros dez anos de atuação, aproximadamente 60 mil profissionais ligados ao programa foram capacitados. Atualmente, a rede conta com 20 instituições parceiras, presentes em todas as regiões do país, com ações de formação, monitoramento, assessoria técnica, educação alimentar e nutricional e apoio à agricultura familiar. 

Painéis 

A programação continuou na parte da tarde, com a promoção de debates sobre temas estratégicos para o fortalecimento da alimentação escolar no Brasil. Especialistas, gestores e profissionais da área discutiram o papel do PNAE no combate às múltiplas formas da má nutrição e na garantia do direito humano à alimentação adequada, destacando a importância da alimentação escolar para a promoção da saúde, da aprendizagem e do desenvolvimento integral dos estudantes. 

A coordenadora-geral do PNAE, Karine dos Santos, conduziu as discussões do primeiro painel e destacou o caráter intersetorial do programa. “O PNAE é uma política estratégica porque integra saúde, educação, segurança alimentar e desenvolvimento sustentável. Essa integração envolve a agricultura familiar, o desenvolvimento local, a promoção da saúde, o direito humano à alimentação adequada e saudável e a educação alimentar e nutricional, que é um eixo primordial para a formação de hábitos mais saudáveis dos estudantes”, afirmou. 

O avanço na modernização dos processos de aquisição de alimentos da agricultura familiar foi tema de discussão entre Daniel Bandoni, coordenador de Segurança Alimentar e Nutricional do FNDE, e Alexandre Villain, coordenador de Soluções Inovadoras em Logística da Secretaria de Gestão e Inovação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Os especialistas apresentaram o funcionamento da plataforma Contrata+Brasil e destacaram o papel da ferramenta para tornar as etapas de compra mais simples, transparentes e acessíveis. 

Segundo Daniel Bandoni, a iniciativa contribui para qualificar os processos de aquisição dos alimentos destinados à alimentação escolar, respeitando as características da agricultura familiar. “O Contrata+Brasil vai apoiar essas etapas da execução da chamada pública, simplificando todo o processo de aquisição de alimentos. É uma ferramenta que também fortalece a transparência, permitindo acompanhar as chamadas abertas e os resultados, trazendo mais segurança para a execução do programa”, afirmou. 

Najla Veloso, secretária executiva da RAES e especialista senior em alimentação escolar na FAO, participou do painel “Participação social e educação alimentar e nutricional para garantir o direito humano à alimentação adequada”, no qual abordou o importante papel da EAN nos programas de alimentação escolar e mencionou a experiência da Rede de Alimentação Escolar Sustentável.

Encerramento 

Ao final da programação, a presidente do FNDE, Fernanda Pacobahyba, apresentou um panorama dos avanços da alimentação escolar brasileira entre 2023 e 2026. A gestora destacou o fortalecimento da política pública e ressaltou os investimentos destinados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que possui orçamento de R$ 6,8 bilhões em 2026. 

A presidente reforçou a importância da continuidade e do aprimoramento da política, destacando o papel da gestão pública na construção de resultados duradouros. “Não fomos nós que inventamos o PNAE, nós passaremos, todos nós, e o PNAE há de ficar. Mas eu acho que a gente precisa reverberar tudo que foi feito, porque foi feita muita coisa. Para quem é gestor público, uma das coisas que mais nos desafia é entregar uma gestão melhor do que a gente recebeu”, afirmou. 

Fernanda também ressaltou que os avanços do programa são resultado de um esforço coletivo e do compromisso de gestores, nutricionistas, merendeiras, agricultores familiares, conselheiros e educadores de todo o país. “O PNAE é um patrimônio do Brasil. Um programa que alimenta corpos, fortalece territórios e ajuda a formar cidadãos. Alimentação escolar é também educação, saúde, cultura, desenvolvimento local e justiça social”, concluiu.  

Conteúdo produzido pelo FNDE