A RAES é uma iniciativa conjunta entre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Paulo Beraldo e Palova Brito
Brasília, Brasil, 8 de agosto de 2025 – A Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES) inaugurou nesta semana o Ciclo de Intercâmbios “PAE em Foco: Conhecendo os desafios e construindo caminhos para uma alimentação escolar sustentável”. Cerca de dois mil participantes de 14 países da região se inscreveram na formação.
Essa iniciativa de cooperação Sul-Sul tem como objetivo fortalecer capacidades técnicas e políticas para implementar, consolidar e ampliar programas de alimentação escolar sustentáveis nos países participantes, integrando enfoques de direitos, sustentabilidade, territorialidade e inclusão com o apoio da RAES.
Najla Veloso, secretária-executiva da RAES e especialista sênior em alimentação escolar na FAO, destacou que a formação regional busca promover e fortalecer a alimentação escolar como política pública estratégica para transformar os sistemas alimentares, garantir o direito à alimentação adequada e fomentar ambientes escolares saudáveis, resilientes e culturalmente pertinentes.
A Rede RAES é uma estratégia do Programa de Cooperação Internacional Brasil-FAO em alimentação escolar, impulsionada pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação do Ministério da Educação (FNDE/MEC) do Brasil, com a secretaria executiva da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Na primeira edição do ciclo, participam profissionais da Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Por meio de mensagem enviada para a inauguração da capacitação, Máximo Torero, economista-chefe da FAO e representante regional a.i. para a América Latina e o Caribe, ressaltou a conexão entre os programas de alimentação escolar e os resultados do relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2025, que evidencia, pelo terceiro ano consecutivo, uma redução nos indicadores de fome e insegurança alimentar.
“A alimentação escolar não é uma política social, é uma ferramenta poderosa para alcançar melhor nutrição e transformar os sistemas alimentares em mais inclusivos, resilientes e sustentáveis. Devemos continuar investindo em capacidades e fomentando o intercâmbio de soluções inovadoras”, afirmou Máximo Torero, lembrando que, desde 2009, mais de 40 mil profissionais foram capacitados no âmbito da Cooperação Internacional Brasil-FAO. “A RAES nos oferece uma oportunidade única para ampliar ações, consolidando os programas de alimentação escolar como política de Estado”.
Fernanda Pacobahyba, presidenta do FNDE, também enviou mensagem aos participantes, destacando a importância da RAES para que “possamos aprender juntos, enfrentar desafios comuns e fortalecer nossas políticas públicas com base em evidências, no respeito à cultura alimentar de cada povo e no compromisso com a inclusão produtiva”. O FNDE também foi representado pela coordenadora do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Brasil, Karine Santos, que reforçou o papel da cooperação internacional para fortalecer os programas de alimentação escolar na região.
Representando o governo do Paraguai, o ministro de Desenvolvimento Social (MDS), Tadeo Rojas, afirmou que a capacitação é importante porque está centrada em “identificar os desafios que enfrentamos em cada um de nossos países para construir caminhos rumo a uma alimentação escolar sustentável”. Ressaltou ainda que a Rede RAES “nos congrega para unir laços de cooperação e fortalecer um tecido sólido que proteja estudantes de nossa região”.
Iván León, representante da FAO no Paraguai, acrescentou que os programas de alimentação escolar estão avançando e sendo fortalecidos na região — um compromisso que se reflete em leis específicas —, mas reconheceu que ainda persistem desafios como a universalização da cobertura estudantil e a melhoria da qualidade dos alimentos oferecidos.
O representante da FAO no Paraguai lembrou que o trabalho do governo do Brasil e da FAO na região desde 2009 vem gerando resultados de impacto. “O PAE em Foco é uma resposta integral e uma oportunidade para seguir avançando com base em anos de experiência. Por meio do intercâmbio de conhecimento e da construção conjunta, podemos assegurar que as políticas de alimentação escolar sejam mais robustas e sustentáveis”.
Mariana Falcão, analista de projetos e responsável substituta pela cooperação Sul-Sul trilateral com organismos internacionais da ABC/MRE, enfatizou a relevância da alimentação escolar para a Agência e destacou o interesse dos participantes em “aprofundar conhecimentos e realizar intercâmbios em favor do desenvolvimento de nossos programas de alimentação escolar na América Latina e no Caribe”.
Daniela Godoy, Oficial Principal de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da FAO, ressaltou que a redução da insegurança alimentar na América Latina e no Caribe está relacionada aos programas de alimentação escolar. “As mudanças que vemos nessa região têm a ver com os programas de alimentação escolar. Eles contribuem para direitos essenciais, não apenas à alimentação adequada, mas também ao direito à educação e à saúde”.
Em sua apresentação, Israel Ríos, oficial de Nutrição da FAO, afirmou que os programas de alimentação escolar são ferramentas de transformação dos ambientes alimentares. “Não se trata apenas de oferecer comida, mas também de educar sobre alimentação saudável por meio desse prato de comida como um veículo de aprendizado e por meio de intervenções complementares, como a horta escolar pedagógica, capacitações a docentes e sensibilização em torno de dietas saudáveis que permitam romper o ciclo de fome, má nutrição e desnutrição infantil”.