Da horta pedagógica às compras da agricultura familiar: países apresentam inovações que fortalecem a alimentação escolar na região

Durante a II Mostra RAES, promovida pela FAO e pelo Governo do Brasil, 10 países apresentaram soluções concretas relacionadas a dietas saudáveis, educação alimentar e nutricional, compras da agricultura familiar e uma gestão mais eficiente dos programas de alimentação escolar.

Paulo Beraldo e Palova Brito

Brasília, Brasil, 5 de outubro de 2026 – Dez países da América Latina e do Caribe compartilharam experiências e soluções para fortalecer a alimentação escolar durante a II Mostra RAES, organizada pela Rede de Alimentação Escolar Sustentável (RAES), no âmbito do Programa de Cooperação Sul-Sul Brasil-FAO. O encontro virtual reuniu cerca de 120 participantes de diferentes países da América Latina e do Caribe.

As iniciativas mostraram como os países estão colocando em prática as prioridades da Agenda Regional da RAES 2026–2030, com destaque para temas como a promoção de dietas saudáveis, a educação alimentar e nutricional, as compras públicas da agricultura familiar, a gestão e governança dos programas e o monitoramento de resultados.

A RAES é uma iniciativa de cooperação Sul-Sul trilateral em alimentação escolar promovida pelo Governo do Brasil, por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), junto aos países membros da região. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) exerce a Secretaria Executiva da Rede.

Experiências inspiradoras

Entre as iniciativas apresentadas, Cuba, Santa Lúcia e Belize destacaram o papel das hortas escolares como espaços de aprendizagem e produção, aproximando os estudantes de temas como nutrição, agricultura e sustentabilidade. No Uruguai, as cooperativas gastronômicas mostraram como a alimentação escolar também pode se tornar um espaço de aprendizagem, convivência e participação.

A experiência da Bolívia apresentou estratégias para fortalecer a governança multissetorial, as compras locais e a promoção de uma alimentação saudável. Na Costa Rica, o uso de evidências e a participação dos estudantes foram destacados como ferramentas para melhorar a aceitação dos cardápios e orientar decisões de políticas públicas.

No Paraguai, a iniciativa mostrou como as compras públicas podem conectar os programas de alimentação escolar a pequenos produtores e mercados locais. O Brasil apresentou uma experiência de incorporação do pescado à alimentação escolar, com benefícios para estudantes, produtores e economias locais.

A República Dominicana compartilhou a experiência de um laboratório gastronômico voltado à capacitação de profissionais e à promoção da melhoria contínua da oferta de alimentos. O Equador, por sua vez, destacou os guias alimentares baseados em alimentos como uma ferramenta de educação nutricional e com potencial para apoiar os programas de alimentação escolar.

Para Riffat Iqbal, analista de projetos da ABC/MRE, as experiências apresentadas mostram que a região está construindo respostas concretas para promover a segurança alimentar e nutricional. Ela também destacou o papel da RAES como espaço de cooperação e intercâmbio de conhecimentos e soluções entre os países.

Por sua vez, Israel Ríos, oficial de Nutrição da FAO, ressaltou que “inovar é uma necessidade” para garantir melhores condições de nutrição, educação e desenvolvimento para as futuras gerações.

A coordenadora do Programa Nacional de Alimentação Escolar do Brasil, executado pelo FNDE, Karine Santos, afirmou que “garantir uma alimentação escolar de qualidade, segura e adequada é reconhecer a dignidade de cada estudante que atravessa as portas de uma escola em nossos países”.

Najla Veloso, secretária executiva da RAES e especialista sênior em alimentação escolar da FAO, avaliou que as iniciativas apresentadas pelos países “destacaram o protagonismo de estudantes, professores, produtores, cozinheiras e outros atores locais nas experiências apresentadas”.

O intercâmbio fortalecendo a cooperação

Adriana Malvestuto, do Instituto Nacional de Bem-Estar Estudantil (INABIE) da República Dominicana, classificou as experiências como “um trabalho muito poderoso, com um grande propósito para todos os nossos estudantes”. A coordenadora do programa de alimentação escolar do Uruguai, Ana Novo, comentou: “Estamos convencidos da importância da construção coletiva de saberes como instrumento para o crescimento pessoal, o desenvolvimento da sociedade e a democratização do conhecimento”.

Marcelo Añez, técnico nacional especialista em aquicultura da Representação da FAO na Bolívia, destacou que foram apresentadas “experiências enriquecedoras que nos inspiram a continuar impulsionando, no nosso dia a dia, iniciativas para fortalecer a alimentação escolar”.

Veja o vídeo com todas as experiências: